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Quando é necessário fazer um inventário de fauna?

Por Sinandra dos Santos, bióloga, CRBio 52610 · Atualizado em 8 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

O inventário de fauna identifica quais animais vivem numa área e serve de base para avaliar o impacto de um empreendimento. Ele costuma ser exigido nos estudos ambientais e quando há vegetação nativa na área.

Quando ele aparece no licenciamento

  • No diagnóstico do meio biótico do EIA/RIMA, do RCA e de outros estudos.
  • Quando o termo de referência do órgão indica levantamento de fauna.
  • Em projetos com supressão de vegetação, próximos a unidades de conservação ou em áreas com espécies ameaçadas ou endêmicas.
  • Como parte de programas da fase de instalação e operação.

A necessidade e os grupos a estudar são definidos pelo órgão ambiental. Ter isso claro no começo evita campanhas repetidas.

Que grupos são estudados

Mastofauna

Mamíferos de médio e grande porte, registrados com armadilhas fotográficas, transectos e busca por vestígios.

Quirópteros

Morcegos, capturados com redes de neblina e acompanhados com detectores acústicos, geralmente à noite.

Herpetofauna

Anfíbios e répteis, por busca ativa e armadilhas de interceptação e queda (drift fence).

Conforme o projeto, entram também avifauna (aves), ictiofauna (peixes) e entomofauna (insetos).

Sazonalidade: seca e chuva

Muitas espécies só aparecem em determinada época. Por isso, na Amazônia, é comum o órgão pedir campanhas nas duas estações. Planejar o cronograma com isso em mente evita atraso no processo.

Inventário, monitoramento e resgate

  • Inventário: registra a fauna de uma área num momento, para diagnóstico.
  • Monitoramento: acompanha a fauna ao longo do tempo, com campanhas periódicas, para avaliar o efeito do empreendimento.
  • Resgate e afugentamento: atua durante a supressão e as obras, retirando animais das áreas que serão afetadas.

Como é uma campanha de campo

Cada grupo de animais pede um método diferente. Alguns exemplos:

  • Mamíferos de médio e grande porte: armadilhas fotográficas, transectos e busca por pegadas, fezes e outros vestígios.
  • Pequenos mamíferos: armadilhas de captura viva, com soltura no local.
  • Morcegos: redes de neblina montadas ao entardecer, com manejo cuidadoso e soltura.
  • Aves: observação e escuta em pontos fixos e transectos, geralmente nas primeiras horas do dia.
  • Répteis e anfíbios: busca ativa, diurna e noturna, e armadilhas de interceptação e queda.
  • Peixes e outros grupos aquáticos, quando há rios ou lagos no entorno.

O esforço amostral, isto é, quantos dias, quantos pontos e quantas armadilhas, é definido no plano de trabalho e deve ser suficiente para que os resultados tenham valor técnico.

Autorizações necessárias

Estudos de fauna que envolvem captura, coleta ou transporte de animais dependem de autorização do órgão ambiental competente, que analisa o plano de trabalho e a equipe. Sem ela, a coleta é irregular e os dados podem ser descartados. Quando há coleta de material para identificação, ele costuma ser depositado em coleção científica reconhecida, o que também precisa estar previsto desde o início.

O que vai no relatório final

  • Lista de espécies registradas, por grupo e por ambiente.
  • Riqueza, abundância e índices de diversidade, com gráficos e tabelas.
  • Espécies ameaçadas, endêmicas, raras, migratórias e de importância econômica ou cinegética, conforme as listas oficiais.
  • Descrição dos métodos, do esforço amostral e das condições de cada campanha.
  • Mapas dos pontos amostrais e fotos de registro.
  • Avaliação dos impactos do empreendimento sobre a fauna e as medidas propostas.

Erros que comprometem o inventário

  • Fazer a campanha em uma só estação, quando o órgão exige duas.
  • Esforço amostral pequeno demais, que não representa a área.
  • Equipe sem habilitação ou sem autorização válida na época do campo.
  • Relatório sem justificar a escolha dos métodos e sem comparar com dados da região.

Dúvidas rápidas

Todo empreendimento precisa de inventário de fauna?

Não. Depende do enquadramento, da área e do termo de referência. Empreendimentos em área já antropizada e de baixo impacto podem não ter essa exigência.

O que sai do inventário?

Lista de espécies, riqueza e abundância, registros de espécies ameaçadas ou endêmicas e recomendações para reduzir os impactos.

Seu empreendimento se enquadra nesse caso?

Conte o que você precisa e retornamos com a avaliação técnica inicial.

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